Casar...

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quinta-feira, 24 de abril de 2008

Mea Culpa ou Meu medo de amar

Ontem, feriado, encontrei amigos e celebrei o dia maravilhoso que se descortinou a todos os cariocas. Foi dia de encontrar alguns fantasmas e de fazer uma análise pessoal - mesmo que à revelia e inesperadamente. Segue um relato pessoalíssimo que seria feito à minha analista se ainda tivesse uma.

Não sou um exemplo de pessoa que guarda amigos e que é 100% uma coisa. Muitas vezes dispensei amigos por preguiça de manter a amizade. E sempre fui assim. Não que os considere dispensáveis, lamento - e muito - tê-los perdido, mas não sei como mantê-los por perto, como conciliar viver, estar com um namorado e ter esses amiguinhos/amigões. Pior para mim.

Conforme o dia de ontem acabava, pensava em como gostaria de mudar isso e ter uma personalidade mais compatível com aquilo que eu gosto, sem deixar de agregar novos valores, novos gostos, enfim, evoluir sem me anular. Pensei também em como não sei manter laços familiares estreitos e firmes e em como tinha o hábito de adotar os gostos dos outros por medo de mostrar os meus.

Lembro de um dia, no colégio, em que entreouvi uma conversa de duas supostas amiguinhas minhas em que elas comentavam como me achavam chata. Essa palavra me persegue. E boa parte da nulidade de auto-estima que tenho deriva de me achar verdadeiramente chata, de preferir concordar com o que os outros acham de mim a admitir que os outros podem não saber tanto assim de mim.

Passei muito tempo da minha vida tentando ser o que meu pais esperavam de mim (o que até hoje faço em alguns momentos). Se meus pais diziam que ficar lendo e não ser sociável era muito prejudicial para mim, me forçava a ser sociável e aniquilava um pouco minhas características próprias para ser o que esperavam de mim ao invés de respeitar minha individualidade (de ser anti-social, de não gostar de parecer feliz o tempo inteiro..) e encontrar um meio gostoso e confortável para socializar...

Aprendi a detestar tudo o que era. A me achar essencialmente chata. Lia no colégio ou na cama, escondida. Fingia ser uma outra pessoa para diferentes grupos. Fui a nerd com meus amigos nerds. Patricinha com o pessoal mais afetado pelas aparências. Fui me dividindo em partes e transparecia um pouco de mim em cada uma dessas faces, mas nunca eu mesma em todas elas.

Passei mais tempo ainda absorvendo a personalidade dos meus ex-namorados quando namorávamos. Aliás, meu namoro com Daniel pode não ter durado não só pelo meu medo de amar, de me entregar de corpo e alma (e como admiro a Flá por isso) a alguém, como também porque ele queria saber quem eu era, gostava de quem eu era e achava interessante eu ser assim. E gostei muito desse menino... muito mesmo... Talvez pelo mesmo motivo tenha rejeitado outra pessoa tão veementemente no passado.

Com o Rogério, pude tentar ser a patricinha que achava que meus pais gostariam que fosse: loirinha, afetadinha e, de quebra, com um namoradinho saído de enlatados americanos, que poderia ser tudo o que mamãe sonhou para mim. E celebrei a felicidade que era ser o que esperam de você. Celebrei de corpo e alma nossa vida a dois.

Infelizmente eu não era eu. Não que eu não gostasse de tudo aquilo ou que tivesse consciência de que tinha me aniquilado, mas sempre soou errado estar com ele. Como se a gente pudesse aprender a amar alguém, amei Rogério.

Rejeitá-lo foi mais difícil do que pensava. Fiquei dividida entre ser o ideal dos outros, de quem achava que sempre saberia mais e melhor que eu, ou aceitar, enfim, que nunca seria aquela pessoa, que seria infeliz e depressiva ao lado dele. É óbvio que o destino deu uma ajudinha. Essa fase foi meu divisor-de-águas com relação a meu pai.

E eis que aparece Raphael. Ele, que gostava de (quase) tudo o que eu gostava, que me admirava no trabalho, que me ligava e conversava por horas comigo, ele, a quem pude enfim contar que tremia quando me sentia vulnerável, quando contava alguma coisa muito particular.

Ele, a quem quis me entregar porque parecia seguro, não era meu porto-seguro. Na verdade era sim, no sentido em que era seguro me entregar a ele, que admirava em mim o ideal dele de chefinha gostosa e pegável. Óbviamente a ele, que nunca poderia ser meu porque nunca pôde se entregar, ser ele mesmo, ficar à vontade comigo. Nosso problema: quando vi inconscientemente que ele não era aberto, me abri. Logo com ele, que queria a fantasia!

E o fantasma de ser quem eu era me assombrava de novo. EU fui rejeitada de novo. Mas agora sabia qual era a pele que me deixava mais confortável, estava satisfeita comigo mesma. Mas não tinha como me aproximar de alguém de novo. Isso nunca mais.

Não queria amar e ser amada. Queria amar sem ser amada ou ser amada sem amar. E um amigo apareceu. Ele era perfeito! Inacessível, amigo, um tanto promíscuo e que gostava de mim como eu precisava ser gostada naquele momento. Apreciada como ser humano e desejada como um pedaço de carne. Como estava confortável naquela situação! Supria minhas carências sazonalmente e eu podia ser eu e outra pessoa ao mesmo tempo...

Mas a única coisa que não poderia acontecer aconteceu: ao invés de viver uma relação promíscua, fugaz e descompromissada, que nunca terminaria em brigas ou desentendimentos já que sem futuro desde seu cerne, terminou estranha, com um se sentindo traído pelo outro. Eu por achar que ele traiu nosso código de honra ao revelar nossa "relação": agora ele não era um escape, uma viagem segura, erámos dois amigos que se pegavam e tudo ganharia um rótulo que nunca quis, não queria, não podia...

Ele, por seu lado, queria SE definir e buscava se encontrar mais que tudo... Eu não servia mais a ele nessa busca e minha empolgação com a nossa "aventura" o deixava cada vez mais seguro que alguém sairia machucado disso tudo. E que essa pessoa seria eu.

E Diogo apareceu. E me conquistou. E me buscar passou a ser desinteressante diante de uma gama de sensações que podia viver agora. Eu podia ser eu mesma com alguém sem problemas. Mas, no meio desse turbilhão de sentimentos, de descobertas, me perdi de mim mesma, entrei em depressão, e tentei me encontrar.

Não sei se deixei de ser quem eu era. Fato é que volta e meia converso com Di sobre sentir falta de fazer as coisas que eu gosto. O dia de ontem foi um dia só meu. E aquele amigo pôs em pratos limpos o que ele pensava daquela época - e como eu não sabia de tanta coisa! - e como ele estava feliz em me encontrar como eu mesma nesse dia. Para ele, eu tinha me abandonado novamente quando comecei com o Di.

Se ele está certo eu não sei. É verdade que me sinto anulada pela personalidade extremamente egoísta dele muitas vezes. Estamos trabalhando nisso. Como um par. É verdade que tenho inclinação a me travestir de outros para me sentir mais confortável. Sei que não confio cegamente em mim - pelo contrário! Não sei se um dia vou confiar e concluir, quem sabe, que minha constante sou eu mesma...

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

Caras errados e mulheres inadequadas


Uma das formas de se atestar o amadurecimento de uma mulher é ver com quantos caras errados ela já se envolveu. E acredite, toda a mulher já saiu com um cara que não era O CARA, mas que resolveu "experimentar". Não que as moças estejam comprando homens como quem compra sapatos, até porque você precisa AMAR um sapato para levá-lo para casa e um homem, bem, vamos parar por aqui... Fato é que faz parte do nosso crescimento como duplo x que somos passar por isso.

E os homens? Será que eles também não poderiam dizer que algumas de nós (que consideramos inteligentes, interessantes e saudáveis) já foram umas OGRAS (em caixa alta mesmo) com um belo pretê (o pretendente a galã, o cara que pode ser seu coadjuvante - já que somos sempre os protagonistas das nossas vidas, não? -) que estava dando aquele mole? Digo um sonoro "Simmmmmmmmmmmmmm". E quem nunca esnobou um cara perfeitamente adequado às suas expectativas que pare de mentir para si mesma.

É claro que tem gente que já tem bacharelado em dispensar caras/garotas excelentes, mas não vou discutir patologias mais graves, só a boa neurose de cada dia...

E senta que lá vem a estória...

Tenho um amigo que é super doce. Tão doce que resolvi que não deixaria minhas amigas sem serem apresentadas a ele - um bom partido anda tão raro... Enfim, apresentei à solteira número 1 e o cara era doce demais para ela. Ok, até aí não me pareceu surreal porque a menina ainda não tinha se encontrado. Paciência.

Parti para a seguinte. Com a solteira número 2 foi amor à primeira piscada. Rolaram beijinhos, saidinhas, "eu gosto dele" daqui, "eu gosto dela" de lá e... pedido de namoro. Sim, ele pediu a solteira em namoro com direito a joelho no chão e tudo o mais que toda a moça romântica espera.

E não é que a menina enjoou? Tratou ele mal, esnobou o pobre e terminou tudo como um cometa na vida do rapaz. E digo que os dois são tudo de bom! Boas pessoas, ambos têm boa família, bons valores... mas péssimos um pro outro.

Eis que o rapaz não desiste e encontra outra menina para chamar de sua. Essa era boazinha, mas mimada que só ela (e olha que eu sou mimada!). Quase uma starlet holywoodiana. Ele terminou. Depois de alguns belos anos, mas terminou.

E logo ele que cansou de reclamar comigo sobre a ogrice daquela amiga. Mas não hesitou em fazer o mesmo com a namorada seguinte...

Se perguntarmos à agora-ex se ele é um bom rapaz, ela pode muito bem atestar que sim, mas... Pois é. Quantas vezes já não nos pegamos falando de algum ex que foi super legal conosco e botamos o "mas" no meio? Trocentas. E não meta a explicação que o "mas" vem porque vocês eram incompatíveis. O cara não se transforma num ogro só porque você não se sentiu amada como gostaria... e a moça não vira uma ogra porque não o amou como ele gostaria.

As pessoas têm tempos distintos. Umas amadurecem num tempo, outras em outro e há ainda o tipo que nunca amadurece - mais comum em exemplares XY. Se o cara foi inadequado para você, tira da sua lista e bote no mercado! Eu e Di, por exemplo, já saímos com amigos nossos antes de sairmos juntos. E falamos com esses amigos numa boa e os amigos com a gente!

Isso tudo para complementar o último post. Meninas, nem tudo está perdido. Porque o lixo de umas é o luxo de outras!

Nota para mim mesma: concretizar o plano de fazer uma festa "o lixo de uns é o luxo de outros". Esclarecimento: Nesta festa, cada convidado deve levar um acompanhante que não seja interessante para você, igualzinho ao que se viu num episódio de Sex And The City.

Ah! Este tema pode ser replicado para tudo. Como eu gosto de coisas velhas, de brechó, quero fazer uma festa assim só que de tranqueiras... No final rola um escambo e cada um sai com um item novo... :D
A foto é de um sapato porque eu AMO sapatos...

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

Para as moças



Sempre odiei terminar um relacionamento. Posso citar meia-dúzia de motivos para tal fobia, mas o que me salta aos olhos agora é que nunca soube lidar com a reação deles. Talvez pela minha inabilidade de lidar com meus próprios sentimentos, fui campeã em quebrar corações e ser implacável com eles, ou com quem sentisse alguma coisa por mim. Medo. É a palavra que melhor define o que sentia.


Esse medo se enraizou de tal forma, que desenvolvi uma couraça anti-sofrimento amoroso que me fazia pular fora ao primeiro sinal de que a vaca iria para o brejo. Os meninos de plantão podem não achar nada demais nisso, até porque acho que eles vêm com um sensor-aranha implantado que os fazem correr como loucos de relacionamentos complicados. Por isso esse post é para as meninas: nós crescemos achando que o amor é uma batalha, que quem persevera vence, e que não há prêmio sem suor. E eu era o patinho-feio entre as meninas...


O primeiro relacionamento em que me forcei a ficar nele até sentir a vaca no brejo, mugindo feliz, foi quando entrei na faculdade. Tudo bem que terminei às vésperas do nosso aniversário de 2 anos (pelo que me lembre) e que fui novamente cruel (1 mês e já estava namorando outro), então não foi tudo o que pensava que seria, mas fato é que sofri. Não que não tenha sofrido nos outros relacionamentos, mas nesse eu sabia que tinha feito tudo o que podia para tornar o amor possível (até uma razão para eu ter entrado tão rápido num outro relacionamento). Mais mulherzinha impossível, não?


Eis que, enquanto achava que tinha feito tudo certo, descubro que meu dedo podre para homens - minha avó adorava dizer isso das mulheres da família, todas com sérios problemas amorosos - havia transmutado para um dedo podre para mim mesma! Não é que meses depois o tal ex começa a namorar uma menina que ele nunca gostou, fica noivo, casa e constitui família, com direito a prole? Hunft. E graças a mim!


Esclareço: nossa maior briga era por conta do cordão umbilical dele (não-literalmente, ok? Diz-se da relação de co-dependência entre pais e filhos, precisamente entre mãe e filho). Como sempre tive sorte com sogras, tinha uma que levava muito a sério essa lance de Complexo de Édipo (o lance de Jocasta casar e ter filhos com o filho dela, Édipo... - não, ela não sabia...). Já viram o problema... Enfim, após nosso término, não é que o rapaz "rompe" com a mãe dependente e vai viver a vidinha dele com a outra? Super Cacá! Consertando os homens alheios (será que isso queima karma?).


O problema é que este fenômeno me deixou marcada. A ponto de outro dia, durante uma briga com o Di, mencionar que ele ia ficar solteiro e que ia fazer tudo o que eu queria que ele melhorasse com outra e que eu teria consertado mais um para a mulherada. Ok, quem conhece o Di pode rir...


Mas a questão permanece: será que todas nós nos desgatamos em relacionamentos para outras colherem os frutos? De cara consigo pensar em duas outras amigas que já relatarm o mesmo problema. Então, devemos nós, mulheres preocupadas com nossas futuras rugas, nos desgastar com carinhas que não serão nossos no final? Pior: como separar o fruto sadio da maçã envenenada da Branca de Neve? Será que não é mais fácil largar a vaca de mão assim que ela dá aquela flertada com o brejo, tal como os homens fazem?


Em tempo: não, não vou botar o Di no mercado e não, não estamos em crise casamentícia. Só estou cansada de falar de casamento, mas ainda na fase ultra mulherzinha...


Cenas do próximo capítulo: será que toda a noiva fica com a feminilidade à flor da pele? Ou será que larguei a minha objetividade jornalística na esquina e fui olhar grinaldas na vitrine? Pausa para reflexão.